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Os riscos de desastre estão relacionados, além do fator climático, às vulnerabilidades e exposição da população e dos municípios, incluindo a capacidade de adaptação. De forma comum, os riscos de desastres relacionados ao excesso de chuva, à falta de chuva e às alterações de temperatura, umidade, energia e movimentação do ar interagem com as dimensões estruturais de vulnerabilidade – como as desigualdades socioeconômicas, a pobreza, o desigual acesso desigual aos serviços básicos (como saúde e educação) e à infraestrutura (habitação, saneamento, segregação socioespacial), e com as fragilidades atreladas ao gênero, raça, etnia, idade e mobilidade (como mulheres, negros, povos indígenas, comunidades tradicionais, crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência etc.). Além disso, essa interação afeta a capacidade institucional dos atores governamentais para lidar com a mudança do clima. A exposição da população é maior em áreas de densidade demográfica elevada, com destaque para os centros urbanos, onde as populações mais marginalizadas e pobres encontram-se em maior risco (BRASIL, 2021, 2023; Assis Dias et al., 2020).